A Sexualidade aos Olhos do Abrantes

Será a sexualidade um tema que confronta apenas a homossexualidade?

Ou simplesmente não deveria ser um tema a enfrentar?


Na casa mais vigiada do país, ao longo desta semana, este tema foi abordado de forma premeditada pelas concorrentes Zena e Ana Sofia – através de uma ideia que surgiu entre as duas de trazer o tema para a “mesa” não só para criar conteúdo para o programa, como para passar uma mensagem para a sociedade.

A mensagem seria que o amor não tem discriminação, preconceito, género e idade.

A situação que ambas criaram foi de que Zena e Ana Sofia estariam a apaixonar-se verdadeiramente uma pela outra.

Ao longo desta situação, é preciso que se diga, que os comentários que ambas teceram em relação ao tema abordado foram sinceros e espontâneos.

Tanto que ambas disseram que tal como é natural os concorrentes aperceberem-se de uma química entre um homem e uma mulher e acharem bonito, que também seria possível isso acontecer entre duas mulheres – o que não aconteceu por parte dos colegas, pois mal se perceberam de que elas poderiam estar a apaixonar-se, afirmaram de imediato ser uma missão.

Mas porque seria esta situação uma missão, se é algo tão natural entre duas pessoas?

Pois bem, parece que afinal, ainda é um tema a esclarecer.

Toda esta questão foi trazida para o programa, pois o André Abrantes, que quer fazer chegar a todos os espectadores o seu amor pela música e divulgar o seu trabalho artístico, nutre um sentimento pela Zena.

O que lhe causou algum transtorno, pois entendeu que a Zena estaria interessada não num homem, mas sim numa mulher – que para ele foi chocante e escandaloso.

E foi aqui que os comentários de André Abrantes começaram a “aquecer”:

· “Força…é a guerra das tesouras, muita fixe, devem-se divertir bem…deve ser muita divertido”

· “É um game over… porque ela gosta de raparigas”


· “Era pior se fossem dois gajos…dois gajos era mais chocante, agora duas mulheres”


Muitas pessoas dizem que não foi intencional, o próprio André diz que alguns dos comentários foram na brincadeira.

As opiniões dividem-se pois se ele entendeu que afinal este era um assunto a ser debatido pelo programa e que elas tinham uma mensagem importante para passar aos espectadores do programa, porque estaria ele a tecer comentários sobre o assunto “na brincadeira”, quando realmente poderia mostrar a sua opinião e falar sobre o tema, como algo natural?

Vimos também posteriormente a esta situação, a passagem das imagens do que sucedeu e o feedback e reação dos concorrentes foi de “riso” ao longo de toda a VT.

No final de tudo, a mensagem, não conseguiu ser passada!

Aos olhos de muitos espectadores tudo não passou na realidade de uma missão ou “uma brincadeira” entre duas concorrentes, que foi mal elaborada e não demonstrou o seu propósito real…

Sendo menosprezada por todos os concorrentes e levada de forma leviana.

É importante entendermos que a nossa sociedade realmente ainda necessita de debater certos temas, não para desmistificar, mas apenas para que não seja um tema e seja uma naturalidade do ser humano, algo que se vive, algo que se sente.

É contraditório condenarmos ações dos outros, quando depois temos este tipo de atitudes perante o mundo!

Se aos olhos de Abrantes, passa o preconceito e a discriminação, então ninguém quer Abrantes no mundo…

As pessoas querem mais Zenas e Sofias que tragam ao mundo a simplicidade de viver, sem preconceito, com naturalidade, sem discriminação, com a certeza de que, aquilo que são é o seu interior a mostrar-se ao mundo de forma natural!

Como já havia mencionado num outro artigo relativamente ao Carlos não devemos julgar nada nem ninguém pela capa, pois por dentro, todos têm os seus problemas e sonhos…

E não podemos simplesmente colocar rótulos nas pessoas para uma vida, de algo que foi feito sem intenção, mas sim com espontaneidade.

Este artigo não serve apenas para explicar o sucedido, como também para sensibilizar para este assunto, que aos olhos de muitos e não só do Abrantes, ainda é sensível de ser tocado.

Vamos, por favor, olhar para o mundo, com igualdade e apenas com uma palavra – amor.

Porque até aquela que achamos ser a pior pessoa do mundo, amou alguém!

E se esse sentimento é o maior sentimento do mundo… porque é que nem todas as pessoas no mundo o demonstram e o aceitam tal como ele deve ser vivido?

O que vocês sentem de toda esta situação e como é que veem este tema do ponto de vista social?

Deixem nos comentários as vossas opiniões!


Texto: Marta Caldeira Cardoso




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